Pacientes com doenças imunomediadas, incluindo as Doenças Inflamatória Intestinal (DII), em uso de terapias imunossupressoras apresentam risco elevado de reativação da tuberculose (TB). No Brasil, país endêmico para TB, o rastreamento da tuberculose latente é prática consolidada, mas ainda com algumas incertezas quanto à sua real indicação em determinados grupos terapêuticos.
Recentemente, foi publicado na Advances in Rheumatology de Souza et al. que traz recomendações atualizadas desenvolvidas por um painel multidisciplinar com representantes da SBR, GEDIIB, SBP, SBD e especialistas em infectologia. O artigo visa orientar o uso racional do rastreio de TB latente e do tratamento preventivo (TPT), com base no risco terapêutico e no contexto epidemiológico nacional.
Principais Conceitos
Recomendações Baseadas em Risco
As novas diretrizes propõem uma abordagem individualizada, considerando:

- TNF-α (alto risco): rastreio e TPT recomendados.
- Anti-integrinas e anti-IL-12/23 (risco baixo a intermediário): rastreamento pode ser dispensado em contextos de baixo risco epidemiológico.

- Reexposição conhecida, contato domiciliar ou profissional de saúde são fatores de peso para manter o rastreamento mesmo em terapias de risco intermediário.

- Testes devem ser interpretados com cautela diante de imunossupressão, infecção recente, ou condições como linfopenia e hipoalbuminemia.
- IGRA é preferencial em pacientes previamente vacinados com BCG (nos últimos 2 anos).
Propostas práticas
Repetição do teste tuberculínico:
Indicada em caso de:
- Suspensão prolongada de biológico (>12 meses) com reintrodução posterior
- Suspeita clínica de TB
- Reexposição epidemiológica significativa
Individualização das condutas:
“Todas as recomendações são condicionais e devem ser adaptadas ao risco epidemiológico, características da doença, fatores individuais e contexto social do paciente.” (SBR, 2025)
Conclusão para a prática em DII
- As recomendações reforçam que o rastreamento universal da TBI não é mais necessário para todos os imunobiológicos, sendo fundamental ponderar risco-benefício em cada situação.
- Para o gastroenterologista, o desafio está em alinhar a conduta à realidade brasileira, evitando tanto o subtratamento quanto a exposição desnecessária a medicamentos preventivos.
- A colaboração com a infectologia permanece essencial em casos de dúvida diagnóstica ou conduta frente à TBI indeterminada.

