Com o aumento do uso de terapias avançadas nas Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), os custos assistenciais dispararam. No artigo recente de Burisch et al., especialistas discutem como tornar o cuidado em DII mais sustentável, equilibrando eficácia clínica com viabilidade econômica — uma leitura essencial para quem lida com decisões terapêuticas na prática.

O tratamento de DII representa um fardo econômico significativo, impulsionado principalmente pelo uso crescente de terapias biológicas. Na Europa, os custos anuais diretos por paciente com DII variam entre €2.000 e €6.000, com os medicamentos representando até 70% desse total. No Canadá e EUA, o impacto é ainda maior, superando USD 10.000/ano por paciente. Esses gastos estão fortemente associados à introdução de terapias de última geração, cuja eficácia é alta, mas o custo permanece elevado.

A doença também gera elevados custos indiretos, como perda de produtividade, absenteísmo e aposentadoria precoce. Pacientes com DII apresentam maiores taxas de afastamento laboral e necessidade de suporte social. Estudos europeus demonstram que tais custos representam até 40% do impacto financeiro total da DII.

Barreiras socioeconômicas, disparidades raciais e étnicas, e políticas de saúde inconsistentes dificultam o acesso equitativo aos cuidados em DII. Mesmo em países desenvolvidos, populações minoritárias ou de baixa renda têm menor acesso a especialistas, terapias avançadas e monitoramento adequado.
Os autores destacam cinco pilares de sustentabilidade:
- Escolha racional de terapias com base em custo-efetividade.
- Adoção de biossimilares.
- Utilização de equipes multidisciplinares e centros especializados.
- Telemedicina e tecnologias digitais para reduzir hospitalizações.
- Educação médica continuada e envolvimento do paciente nas decisões.

Em contextos de menor renda, como América Latina e África, os autores ressaltam a importância de selecionar medicamentos com o melhor perfil custo-benefício e fortalecer protocolos baseados em evidências. Estratégias como escalonamento terapêutico e uso criterioso de exames de imagem podem otimizar recursos.
Biológicos: Promessa de Redução de Custos Diretos?
Apesar do custo inicial elevado, terapias biológicas demonstram redução na taxa de hospitalizações, cirurgias e absenteísmo, o que pode compensar os gastos. Estudos europeus sugerem que o uso precoce e adequado de biológicos pode ser custo-efetivo a longo prazo, especialmente em pacientes com doença moderada a grave.
Biossimilares: Potencial Subutilizado
O uso de biossimilares representa uma estratégia promissora para reduzir custos, com eficácia e segurança comparáveis aos originadores. Contudo, a adesão ainda é limitada devido a barreiras regulatórias, resistência dos médicos e lacunas legais em muitos países.

Modelos de cuidado integrado, com equipes multiprofissionais, acompanhamento remoto e monitoramento proativo, têm mostrado redução significativa nas hospitalizações por exacerbação de DII. A telemedicina e o uso de algoritmos baseados em dados também despontam como ferramentas de custo-controle.
Conclusão
Garantir a sustentabilidade do cuidado em DII exige mudanças estruturais no sistema de saúde, escolha terapêutica baseada em custo-efetividade e políticas públicas que ampliem o acesso. Estratégias como adoção de biossimilares, formação de centros de excelência e incorporação de tecnologia são fundamentais para equilibrar qualidade assistencial e viabilidade econômica.




