Você já se perguntou como os pacientes com DII e seus familiares enxergam a ideia de prever e prevenir essa doença? Em um momento em que a medicina de precisão e os testes preditivos ganham cada vez mais espaço na gastroenterologia, é fundamental entender como essa proposta é recebida por quem vive com a DII — ou tem risco de desenvolvê-la.

É exatamente isso que traz o artigo de Bravo e colaboradores, publicado no UEG Journal em julho deste ano. Por meio de entrevistas qualitativas com pacientes e familiares de primeiro grau, o estudo mergulha nas percepções, medos e expectativas dessas pessoas diante da ideia de conhecer riscos futuros e adotar estratégias de prevenção.
Principais achados

Muitos familiares de primeiro grau demonstraram interesse em saber seu risco de desenvolver DII, principalmente se isso trouxesse a possibilidade de prevenção. Outros, no entanto, expressaram receio e ansiedade com a ideia de viver sob uma “ameaça silenciosa”, especialmente diante da falta de garantias de prevenção efetiva.

A maioria dos participantes valorizou estratégias de prevenção, especialmente aquelas relacionadas a mudança de dieta, estilo de vida e redução do estresse. No entanto, destacaram a importância de suporte emocional, educacional e nutricional para aderirem a tais mudanças. Muitos expressaram dúvidas sobre a eficácia real dessas estratégias, e alguns pacientes relataram frustrações anteriores com abordagens “culpabilizantes”.

A confiança no profissional de saúde foi vista como um facilitador essencial para a aceitação de programas de risco e prevenção. Os participantes destacaram a importância de uma abordagem empática, transparente e baseada em evidências.

Surgiram preocupações quanto ao uso de dados genéticos, riscos de discriminação por seguradoras, estigma social e impacto psicológico. Os autores ressaltam a necessidade de desenvolver políticas claras de proteção de dados e comunicação de risco.
Implicações para a prática
– Estratégias de predição e prevenção só serão eficazes se forem individualizadas e centradas no paciente.
– Antes de oferecer testes preditivos ou aconselhamento preventivo, é fundamental explorar as expectativas, receios e valores do paciente e seus familiares.
– Os programas devem incluir educação acessível, acompanhamento psicológico e apoio nutricional, especialmente para familiares de alto risco.
– O envolvimento dos próprios pacientes e familiares na construção de diretrizes e programas pode aumentar a adesão e o sucesso dessas iniciativas.


