Com a crescente disponibilidade de terapias avançadas para Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RCU), compreender as preferências dos pacientes torna-se essencial para a tomada de decisão compartilhada e para a adesão terapêutica. Recentemente, um estudo publicado no Advances in Therapy avaliou preferências de 706 pacientes com DII em cinco países não ocidentais (incluindo Brasil).
Objetivo do Estudo
Avaliar os atributos terapêuticos mais valorizados por pacientes com DC e RCU em relação às terapias avançadas, considerando eficácia, segurança, via de administração e impacto na qualidade de vida.
Principais Resultados

- Atributos mais valorizados:
- Remissão de longo prazo com terapia de manutenção: 32,5%
- Remissão em 1 ano: 25,7%
- Via de administração: 24,6%
- Menor peso atribuído: risco de eventos adversos graves (11,5%) e leves (5,8%)
- Sintoma com maior impacto na qualidade de vida: dor abdominal
- Via de administração preferida: subcutânea (1–2 ou 4–12 semanas) em detrimento da intravenosa

- Atributos mais valorizados:
- Remissão livre de corticosteroides em 1 ano: 30,8%
- Via de administração: 27,4%
- Cicatrização mucosa: 16,1%
- Sintomas com maior impacto: dor abdominal e urgência evacuatória
- Via de administração preferida: oral e subcutânea sobre intravenosa

- Tomada de decisão compartilhada: Deve ser incorporada desde o início do plano terapêutico, especialmente ao discutir o início precoce de terapias avançadas.
- Preferência pela eficácia: A maioria dos pacientes prioriza a remissão sustentada e a ausência de corticosteroides em detrimento de eventos adversos.
- Flexibilidade na via de administração: A conveniência do tratamento (especialmente oral ou subcutâneo) é um fator determinante para a aceitação terapêutica, sobretudo entre pacientes ainda não expostos a biológicos.
- Percepção do cuidado: Quase metade dos pacientes em uso de terapia avançada relatou que teria preferido iniciar esse tipo de tratamento mais precocemente.

- O Brasil representou 28% da amostra total do estudo.
- As preferências dos pacientes brasileiros foram consistentes com os achados gerais, reforçando a aplicabilidade desses dados à prática clínica nacional.
- O estudo destaca a necessidade de alinhamento entre estratégias terapêuticas e expectativas dos pacientes em diferentes contextos socioeconômicos e culturais.
Conclusão
A priorização de atributos relacionados à eficácia terapêutica, conveniência de uso e impacto sobre qualidade de vida deve guiar a abordagem centrada no paciente com DII. A escuta ativa e a individualização do tratamento são pilares fundamentais para o êxito clínico.


