Nos últimos anos, os agonistas do receptor de GLP-1 (glucagon-like peptide-1), como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, ganharam destaque no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Diante da crescente prevalência de obesidade em pacientes com Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) — que pode impactar negativamente a resposta terapêutica e o prognóstico —, a segurança e a eficácia desses fármacos neste contexto têm despertado crescente interesse científico.
Principais achados:

Estudos observacionais indicam que os agonistas de GLP-1 não aumentam o risco de exacerbação da DII, obstrução intestinal ou íleo.
Uma análise de coorte com mais de 2 mil pacientes mostrou redução significativa na hospitalização, uso de corticosteroides e complicações em pacientes com retocolite ulcerativa e obesidade que utilizaram análogo GLP-1, quando comparados a controles emparelhados.

Diversos estudos retrospectivos e prospectivos demonstraram perda de peso significativa (>5% em média) em pacientes com DII tratados com semaglutida ou liraglutida, sem aumento da atividade inflamatória ou necessidade de otimização terapêutica.
Os benefícios foram similares aos observados na população geral, mesmo em pacientes com histórico de doença complicada.

Dados preliminares sugerem que os agonistas de GLP-1 podem modular a inflamação intestinal. Em um estudo apresentado no DDW 2024, pacientes com DII apresentaram queda nos níveis de PCR e tendência de redução na calprotectina fecal após 24 semanas de tratamento com GLP-1, apontando possível efeito anti-inflamatório indireto.

Modelos experimentais reforçam a hipótese de que os análogos GLP-1 exercem ação anti-inflamatória por meio da modulação da resposta imune inata e da regeneração epitelial intestinal. Esses efeitos sugerem um possível papel adjuvante no tratamento da DII no futuro, especialmente em contextos de mucosa lesada e resistência terapêutica.

Seu uso em pacientes com obesidade e DII pode trazer benefícios metabólicos relevantes, com perfil de segurança adequado. Estudos prospectivos randomizados são necessários para confirmar os potenciais efeitos anti-inflamatórios observados e definir seu papel terapêutico na abordagem integrada do paciente com DII.
Conclusão
O uso de agonistas de GLP-1 em pacientes com DII e obesidade tem se mostrado seguro, eficaz para controle ponderal e potencialmente benéfico no controle da inflamação.
A seleção cuidadosa dos pacientes e o monitoramento contínuo são fundamentais para garantir bons desfechos.
Quer saber mais?
Sehgal P, et al. Impact of GLP-1 agonists on inflammatory biomarkers in IBD. DDW 2024.
Villumsen M, et al. GLP-1 based therapies and disease course of inflammatory bowel disease. EClinicalMedicine.2021;37:100979.
Review: GLP-1R Agonists and Their Therapeutic Potential in IBD. Biomolecules. 2025;13(5):1128.
Li Y, et al. The alleviating effect and mechanism of GLP-1 on ulcerative colitis. PMC.
Cohen L, et al. GLP-1 medications: Reimagining Crohn’s disease treatment. Mount Sinai Report.


